Podemos oferecer muitas coisas às pessoas. A frase seria melhor escrita com o acréscimo de "muitas" também antes de "pessoas". De fato, existem muitas delas em nossa vida. Cada uma nos procura pois busca algo que oferecemos.
Às vezes não entendemos exatamente o que elas querem.
As pessoas são consumidores e nós, ofertantes.
Outras vezes nosso produto já não é mais tão atrativo, já que a concorrência oferece:
a) mais amor;
b) mais afeto;
c) mais beleza.
Nosso mercado, ao contrário dos mercados puramente econômicos, não se restringe. Não falimos, não quebramos (por fora) e nem precisamos mudar os produtos que oferecemos. O tempo faz o que sabe, passa; e no vazio da pessoa que outros levaram entra alguém. Bom seria se os mercados fossem todos assim - infalíveis a quebras. Se o seu tênis não agradou na China não se preocupe: os chineses sairão de lá e quem quer que seja que passe a morar ali vai simpatizar com seu produto. Talvez até pareça muito bonito mas se os consumidores não forçassem os fornecedores a se adaptarem a eles, como nós, ofertantes, também poderíamos consumir o que quiséssemos?
"Não há oferta sem procura". E esta procura não parte da relação:
OFERTA DO PRODUTO <=> PROCURA PELO PRODUTO
Parte de:
OFERTA DE UM PRODUTO <=> (...)
|
PROCURA POR OUTRO PRODUTO <=> (...)
Quando oferecemos, buscamos ao mesmo tempo. Buscamos aquilo que nós não temos em quantia satisfatória. Mas o engraçado do amor é o fato de oferecermos ele e buscarmos a mesma sensação! É como alguém que vende milho mas quer comprar milho. E ele não quer comprar menos do que vendeu, quer na mesma quantidade ou adquirir até mais! Não há balança favorável em muitas coisas que oferecemos. Esta é a beleza de nos apaixonarmos e a tristeza de termos que alterar o que oferecemos para não perdermos a pessoa que rejeitou o produto. Nós oferecemos milho mas temos que nos contentar com o algodão.
Acontece quando você cursa Economia e está apaixonado. Aqueles conceitos sem graça que ficam lhe dizendo junto com "é assim que as coisas funcionam, é desta forma que o mundo gira". Pois bem, se apaixone e você vai ver que nada disto funciona, como as outras coisas são quando se ama...
P., quando o problema não é arrumar novas consumidoras e sim mudar aquilo que se oferta.
domingo, 29 de maio de 2011
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Post interrompido
Este era um post como qualquer outro. Falava sobre cair duas, três, quatro, todas as últimas vezes no mesmo buraco. Sobre o erro de pensar que poderia dar certo agora, que talvez esta fosse a mulher certa e ir parar lá. Raios não caem duas vezes no mesmo lugar porque não pensam. Mas ainda sim os raios caem com força suficiente para interromper o que este post tratava.
Eu interrompo um post para que não se interrompa uma vida. As ideias de verdade não morrem. Elas vivem. Nós não morremos, deixamos de existir. Nossa existência por definição nos leva adiante por desejar, acima de qualquer outra coisa, continuar existindo. Não somos como as ideias, imortais. Somos como as meras pessoas, que podem tornar-se eternas. Porém, é preciso levar em consideração que nossa existência se relaciona com a dos outros, e não é possível interrompê-la por nosso desejo. Nosso desejo maior é continuar existindo. Não confunda existir de uma forma diferente com deixar de existir. Por favor.
http://www.youtube.com/watch?v=A7ry4cx6HfY
"Eu tenho tanto pra dizer, então, continue próximo".
P.
Eu interrompo um post para que não se interrompa uma vida. As ideias de verdade não morrem. Elas vivem. Nós não morremos, deixamos de existir. Nossa existência por definição nos leva adiante por desejar, acima de qualquer outra coisa, continuar existindo. Não somos como as ideias, imortais. Somos como as meras pessoas, que podem tornar-se eternas. Porém, é preciso levar em consideração que nossa existência se relaciona com a dos outros, e não é possível interrompê-la por nosso desejo. Nosso desejo maior é continuar existindo. Não confunda existir de uma forma diferente com deixar de existir. Por favor.
http://www.youtube.com/watch?v=A7ry4cx6HfY
"Eu tenho tanto pra dizer, então, continue próximo".
P.
domingo, 8 de maio de 2011
Observação sobre preterir
O título do último post soou estranho, não? Quando escutamos "preferir" e "preterir" não há tanto estranhamento assim, são palavras comuns e ações pertinentes aos outros. Costumamos dizer "prefiro", pois esta é a essência de nossas atitudes: a preferência e a inclusão das coisas para nossa posse. "Eu pretiro" é incomum ao ponto de não sabermos o que significa - os outros podem preterir mas nós não.
Preterir ou preferir... e aí, o que vocês preferem?
Preterir ou preferir... e aí, o que vocês preferem?
domingo, 1 de maio de 2011
Eu pretiro
http://www.youtube.com/watch?v=g2VnIovHI1Y
Você vai crescendo e suas escolhas vão afastando as pessoas.
Na verdade, as pessoas vão se afastando conforme você cresce.
É velha a ideia de que escolhas lhe fazem abrir mão dos preteridos.
Mas crescer não é necessariamente uma escolha.
Não é justo que você tenha de abrir mão de pessoas necessárias.
Ambos parecem ser inevitáveis.
Crescer sem abrir mão.
Esses sim, vivem.
Não é preterir as pessoas.
Tampouco preferir a si mesmo.
É só optar pelo que acha certo.
Mas mesmo não fazendo a mínima ideia mais do que é certo, as pessoas estão indo embora.
Então pelo que estou optando?
Não é por viver.
Que o crescimento levará a algum lugar, é certo.
Mas quem estará nesse lugar?
Realmente... o lugar é o que menos importa. São as pessoas que estão lá que importam. Não vivam para ir a determinado lugar. O caminho que vocês tomam até ele não é viver. E ainda bem. Senão, a vida terminaria no momento da chegada.
Não se deixem levar...
P.
Você vai crescendo e suas escolhas vão afastando as pessoas.
Na verdade, as pessoas vão se afastando conforme você cresce.
É velha a ideia de que escolhas lhe fazem abrir mão dos preteridos.
Mas crescer não é necessariamente uma escolha.
Não é justo que você tenha de abrir mão de pessoas necessárias.
Ambos parecem ser inevitáveis.
Crescer sem abrir mão.
Esses sim, vivem.
Não é preterir as pessoas.
Tampouco preferir a si mesmo.
É só optar pelo que acha certo.
Mas mesmo não fazendo a mínima ideia mais do que é certo, as pessoas estão indo embora.
Então pelo que estou optando?
Não é por viver.
Que o crescimento levará a algum lugar, é certo.
Mas quem estará nesse lugar?
Realmente... o lugar é o que menos importa. São as pessoas que estão lá que importam. Não vivam para ir a determinado lugar. O caminho que vocês tomam até ele não é viver. E ainda bem. Senão, a vida terminaria no momento da chegada.
Não se deixem levar...
P.
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Calafrios
Você passou depressa pela rua... fazia tanto tempo que eu não lhe via...
As conjecturas estão até em meio aos sonhos. Coitado daquele que não consegue aquilo que quer nem mesmo quando pode conseguir qualquer coisa. Talvez eu não saiba o que quero. É uma questão. Triste.
Antes eu queria saber tudo. Então encontrei muitas pessoas que não me permitiam saber o que pensavam. Fui desistindo do que queria. Não tentem ir ao oposto, pois aqueles que fazem questão de que você saiba de tudo o que pensam, lhe impedem até mesmo de desistir.
E quando se perde a capacidade de saber até mesmo sobre si próprio?
Faculdade...
Não é uma capacidade, tem de ser uma faculdade. Não se deve possui-la momentaneamente e discriminadamente, deve-se usá-la sempre e como base por todos. É um problema. Grande.
Em cada cama, em cada cidade, em cada casa, deixamos um aquilo que somos. Se foi por ter fingido muito ou ter deitado-me tantas vezes, não sei. Mas as camas não estão mais ao meu alcance. Distantes ou afastadas, o efeito é o mesmo: o amor se foi e algumas transuentes falam sobre ele de vez em quando. Mas são apenas transeuntes. As cidades se confundem, e até mesmo as questões de antes deste blog, sobre mundos diferentes, não têm mais referencial: os sonhos não trazem mais conjectura alguma. Eles só trazem casas diferentes... que realmente não têm relação alguma com sonho algum.
Por hora, apenas ruas, passos rápidos de todos enquanto tento ver você de perto. Perto o suficiente para saber quem é você. De perto.
P., T., R., e K. Quem sabe de perto?
As conjecturas estão até em meio aos sonhos. Coitado daquele que não consegue aquilo que quer nem mesmo quando pode conseguir qualquer coisa. Talvez eu não saiba o que quero. É uma questão. Triste.
Antes eu queria saber tudo. Então encontrei muitas pessoas que não me permitiam saber o que pensavam. Fui desistindo do que queria. Não tentem ir ao oposto, pois aqueles que fazem questão de que você saiba de tudo o que pensam, lhe impedem até mesmo de desistir.
E quando se perde a capacidade de saber até mesmo sobre si próprio?
Faculdade...
Não é uma capacidade, tem de ser uma faculdade. Não se deve possui-la momentaneamente e discriminadamente, deve-se usá-la sempre e como base por todos. É um problema. Grande.
Em cada cama, em cada cidade, em cada casa, deixamos um aquilo que somos. Se foi por ter fingido muito ou ter deitado-me tantas vezes, não sei. Mas as camas não estão mais ao meu alcance. Distantes ou afastadas, o efeito é o mesmo: o amor se foi e algumas transuentes falam sobre ele de vez em quando. Mas são apenas transeuntes. As cidades se confundem, e até mesmo as questões de antes deste blog, sobre mundos diferentes, não têm mais referencial: os sonhos não trazem mais conjectura alguma. Eles só trazem casas diferentes... que realmente não têm relação alguma com sonho algum.
Por hora, apenas ruas, passos rápidos de todos enquanto tento ver você de perto. Perto o suficiente para saber quem é você. De perto.
P., T., R., e K. Quem sabe de perto?
quarta-feira, 23 de março de 2011
Eu do ato.
Perdida em meus atos. O que parece solução, logo se transforma em abismo. O que parece abismo, logo vira solução. Depois todos se invertem e se misturam. O que parece abismo vira abismo e solução. O que parece solução vira solução, solução e abismo. Abismo solução, solução. Abismo.
Talvez eu precise de um bom psicólogo. Mas e eles? Não precisam? Ora essa... Não me venham com antidepressivos, afinal de contas, eu sou minha depressão e nenhum remédio mudará isso. Eu sou a pessoa que escolhi ser ou a vida me fez essa pessoa que escolheu entrar no mundo. Mundo esse que poucos vivem. E é por isso que sou.
Ninguém poderá entender-me antes de mim. Preciso chegar primeiro, preciso tentar antes de qualquer outro vir aqui me falar do que sou quando não sou. Preciso tocar no molde central no meu ser que projetará o próximo ato antes de minha consciência ficar ciente disso. Preciso de mim. Preciso do ser, do eu, do vivo.
Doeu ser vivo. Dói ser a mim mesma criação do próximo ser que gerarei. Tenho a capacidade disso? Apesar de que sou humana e se Deus fez tudo isso como deveria ser não entendo porque continuo a me evolver com o sexo feminino quando deveria ser o oposto. Não gosto do oposto. Gosto, mas não gosto. Preciso de uma identificação. Algo que não vá me repelir. Algo que só nós mulheres conseguimos ter em comum. Esse ato de amor, o carnal e a alma sem rumo algum. Essa dor do ser viva mulher que precisa de um abrigo.
Estou mergulhada aqui, por enquanto. Logo mais abrirão a porta e não entenderei mais nada do que se passa em mim. Essas letras complicadas digitadas por dedos mais confiantes que eu. Parece tão simples aqui, apesar de complicado. Comparar com a vida lá fora é loucura. Prefiro ficar enrolada aqui. Grande dor. Espreme a humanidade para fora desta casca dura. Faz de mim mais confiante que os malditos dedos, por favor.
B.
Talvez eu precise de um bom psicólogo. Mas e eles? Não precisam? Ora essa... Não me venham com antidepressivos, afinal de contas, eu sou minha depressão e nenhum remédio mudará isso. Eu sou a pessoa que escolhi ser ou a vida me fez essa pessoa que escolheu entrar no mundo. Mundo esse que poucos vivem. E é por isso que sou.
Ninguém poderá entender-me antes de mim. Preciso chegar primeiro, preciso tentar antes de qualquer outro vir aqui me falar do que sou quando não sou. Preciso tocar no molde central no meu ser que projetará o próximo ato antes de minha consciência ficar ciente disso. Preciso de mim. Preciso do ser, do eu, do vivo.
Doeu ser vivo. Dói ser a mim mesma criação do próximo ser que gerarei. Tenho a capacidade disso? Apesar de que sou humana e se Deus fez tudo isso como deveria ser não entendo porque continuo a me evolver com o sexo feminino quando deveria ser o oposto. Não gosto do oposto. Gosto, mas não gosto. Preciso de uma identificação. Algo que não vá me repelir. Algo que só nós mulheres conseguimos ter em comum. Esse ato de amor, o carnal e a alma sem rumo algum. Essa dor do ser viva mulher que precisa de um abrigo.
Estou mergulhada aqui, por enquanto. Logo mais abrirão a porta e não entenderei mais nada do que se passa em mim. Essas letras complicadas digitadas por dedos mais confiantes que eu. Parece tão simples aqui, apesar de complicado. Comparar com a vida lá fora é loucura. Prefiro ficar enrolada aqui. Grande dor. Espreme a humanidade para fora desta casca dura. Faz de mim mais confiante que os malditos dedos, por favor.
B.
sexta-feira, 18 de março de 2011
"O universo" por um chapéu
Deram-me um chapéu, tem umas semanas. Nunca tive um chapéu antes, não um de respeito ao menos. E olha que nesta afirmação entram aqueles clarinhos e pretos que nos empurravam sobre a cabeça nas apresentações infantis. Como este chapéu é diferente, eu gosto muito dele. Perguntaram se eu iria largá-lo algum dia, e abominei a ideia. O meu chapéu não. O universo de minha nova vida está pautado neste chapéu. Se algum dia eu jogá-lo fora, talvez minha vida tenha o mesmo rumo.
Com palavras simples deveria ser mais fácil explicar as coisas. Com ideias curtas, o mesmo objetivo. Mas as poucas palavras e a falta de ideias deixam tudo muito aderido, cabeça ao chapéu. Confundem-se em identidade e identificador; você pode não ser o que seu chapéu mostra, mas você é algo para quem seu chapéu mostra. O chapéu não é apenas respeitável e diferente, é interessante. Não se pode escondê-lo na mesma proporção que não se pode carregá-lo sem andar carregado de impressões. E coloque carregado nisso, porque não se pode olhar para cima enquanto se anda com ele. Olhe para baixo e abaixe a cabeça.
O chapéu não é dado como presente, tampouco como extensão do corpo. Vai na cabeça porque não se sabe em que lugar da identidade se pendura as coisas, não que ele esteja lá guardando as ideias. Mas ele fica bem onde fica. É um símbolo genial que lhe permite identificar muito sobre o que a pessoa é, ou está aparentando ser por alguns meses. Mas não é a você, digo, a mim, que ele deve identificar. Se eu identifico é porque talvez não tenha me identificado com ele, acho. Mas não sei, isto ficou meio confuso, sabem, aquela confusão assustadora que muitos estão passando agora. Aliás, eu não acho nada. Todos os mandamentos devem ser interpretados com humor, mas eis um que traz muita sobriedade: achar algo por aqui é seu pior erro, saiba.
Então você começa a jogar o chapéu para cima, e começa a colocar giro nele. Finalmente o chapéu cai. Agora o universo é explicado por um chapéu. Agora faz-se de tudo por ele. Troquei o universo por um dele. Se foi realmente o que queria, não sei. Neste caso só me resta achar... e eu sinceramente espero que não seja meu pior erro.
P.
Com palavras simples deveria ser mais fácil explicar as coisas. Com ideias curtas, o mesmo objetivo. Mas as poucas palavras e a falta de ideias deixam tudo muito aderido, cabeça ao chapéu. Confundem-se em identidade e identificador; você pode não ser o que seu chapéu mostra, mas você é algo para quem seu chapéu mostra. O chapéu não é apenas respeitável e diferente, é interessante. Não se pode escondê-lo na mesma proporção que não se pode carregá-lo sem andar carregado de impressões. E coloque carregado nisso, porque não se pode olhar para cima enquanto se anda com ele. Olhe para baixo e abaixe a cabeça.
O chapéu não é dado como presente, tampouco como extensão do corpo. Vai na cabeça porque não se sabe em que lugar da identidade se pendura as coisas, não que ele esteja lá guardando as ideias. Mas ele fica bem onde fica. É um símbolo genial que lhe permite identificar muito sobre o que a pessoa é, ou está aparentando ser por alguns meses. Mas não é a você, digo, a mim, que ele deve identificar. Se eu identifico é porque talvez não tenha me identificado com ele, acho. Mas não sei, isto ficou meio confuso, sabem, aquela confusão assustadora que muitos estão passando agora. Aliás, eu não acho nada. Todos os mandamentos devem ser interpretados com humor, mas eis um que traz muita sobriedade: achar algo por aqui é seu pior erro, saiba.
Então você começa a jogar o chapéu para cima, e começa a colocar giro nele. Finalmente o chapéu cai. Agora o universo é explicado por um chapéu. Agora faz-se de tudo por ele. Troquei o universo por um dele. Se foi realmente o que queria, não sei. Neste caso só me resta achar... e eu sinceramente espero que não seja meu pior erro.
P.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Poesia sem poeta
Enquanto eu riscava o papel, ela perguntou se eu estava fazendo algum tipo de poesia. Sorri. Então esticando o braço, pediu para ler. Dei-lhe a folha e falei para que não se decepcionasse, pois ali não encontraria bem o que pretendia. Após alguns minutos, ela disse que havia sim poesia ali, embora não houvesse verso algum. Mas sim, definitivamente havia poesia. "Sem verso, não há poesia, apenas prosa comum". "Você se julga poeta e consegue dizer uma coisa dessas, que implica em não existir poesia no olhar, ou na natureza e coisas do tipo? Apenas onde há verso? Ora, poeta... Faz muito tempo que rima deixou de ser poesia e tenho certeza de que é o certo!".
E também faz muito tempo que poesia deixou de ser beleza. Nunca me considerei um poeta, creio que não disponho de habilidade e talento para tanto. Para expressar o que querem, os poetas usam de muitas coisas iguais e tão difíceis quanto. Eu não sei esconder a beleza. O verso esconde o raciocínio. Quem me dera ter essa destreza! Eu apenas enxergo a beleza das formas e busco sua essência. E as escrevo como são: com ritmo. A prosa com ritmo é perfeita pois é como nós pensamos. E são nossos pensamentos que dão esta beleza às coisas. Raciocínio é ritmo. Como gostaria de saber rimar a beleza!
"De qualquer forma, ficou muito bonito..."
E também faz muito tempo que poesia deixou de ser beleza. Nunca me considerei um poeta, creio que não disponho de habilidade e talento para tanto. Para expressar o que querem, os poetas usam de muitas coisas iguais e tão difíceis quanto. Eu não sei esconder a beleza. O verso esconde o raciocínio. Quem me dera ter essa destreza! Eu apenas enxergo a beleza das formas e busco sua essência. E as escrevo como são: com ritmo. A prosa com ritmo é perfeita pois é como nós pensamos. E são nossos pensamentos que dão esta beleza às coisas. Raciocínio é ritmo. Como gostaria de saber rimar a beleza!
"De qualquer forma, ficou muito bonito..."
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Lei epigramática
É isso. Lá se foi o escalpo.
Em agosto de 2009, escrevi um post sobre o vestibular -http://sppaconnection.blogspot.com/2009/09/existem-misticismos-sensacionais-em.html - e nele apontei como fundamentais para, não somente aprovação em um curso, mas em questões muito mais amplas, a vontade e a estratégia. Nesta época, comecei a vislumbrar o quanto seria complicado o que estava por vir, mas resolvi aplicar aquilo em que acreditei como certo e apenas ficar com a natural preocupação sobre aonde eu iria. Quero dividir isso com vocês, detalhes que não compartilhei com ninguém e abro a todos aqui...
http://www.youtube.com/watch?v=Bp2Qc5_6RJo (Esta música passa a sensação de postes de iluminação sendo vistos pela janela de um carro à noite, não?)
Foi tremendamente complicado ter um ano de aulas em que muita coisa não se iria aproveitar, e pior, tendo grande parte do conteúdo que caíria nas provas fora das salas. Sobraram cerca de 60% do "Conteúdo Programático" a serem vistos solitariamente, no meu quarto com película totalmente negra, frio, café, temakis e pizza. E assim as semanas iam rolando, sempre trazendo as mesmas cenas, a falta de tempo de alguém que passava 12h por dia na escola, todos os dias, que tinha 3h de curso de Matemática aos sábados e que fora abençoado com "Botânica" aos domingos. De manhã. Não havia feriados que não fossem destinados ao curso, ou a finalmente, os estudos - tão difíceis em meio à rotina maluca. Hoje eu vejo que errei ao me concentrar demais em certos assuntos. A todo e qualquer momento você precisava lembrar e estar pronto para responder ou fazer qualquer coisa de qualquer assunto, e eu levava isso mais longe, era necessário ter tudo em minha cabeça, nas cores dos pincéis dos meus quadros e em explicações eficientes.
Quantas noites foram destruídas por questões que não conseguiam ser resolvidas. Eu dormia e elas ainda estavam lá. No meio de tanto azar que estava ainda por vir, eu tive extrema sorte em cair na sala mais sensacional de que já fiz parte, a belíssima CMH, raro exemplo de sintonia. E todo dia, sem nunca deixar isso de lado, eu corria os olhos naqueles quadrados vermelhos (coisas que ainda deveriam ser vistas, à parte para a FUVEST) cada vez maiores, mais complexos e abarrotados de coisas novas. Você sempre vai ouvir aquelas ironias de que as coisas não vão dar certo. Afinal de contas, mesmo eu sendo de São Paulo, fiz mais do que todo meu Ensino Médio em Belém, não fazia cursinho no 3º ano nem nada "específico" para a FUVEST. Todas as vezes em que você concentrar as ações em si mesmo, as pessoas irão duvidar. Engraçada é a crença das coisas pertencentes às maluquices que temos por aí.
E veio a primeira fase. Antes dela, muitos problemas. Operação às pressas para retirar dois sisos que haviam inflamado, cujo pós-operatório é muito dolorido e prejudica muito qualquer tentativa de estudos. Estudos esses que não poderiam parar, já que ainda faltavam partes gigantescas do programa para ver e umas sete leituras obrigatórias. Também houve atritos com pessoas que me magoaram muito. Mesmo sabendo que no meu caso, seria tranquilo passar para a segunda fase, era difícil conceber um desempenho mediano. Tive de ficar uma semana sem tomar remédios para alergia (devido à medicação da operação na boca), que desencadeou coceiras intermináveis. Dormir nem pensar. Chegou o dia da prova, e a desconfiança nos assuntos vistos em tão pouco tempo me fez ficar nervoso e ter um desempenho... mediano. Foi minha primeira prova de vestibular, e apesar de tudo, era uma FUVEST. Então eu tive cerca de vinte dias para me preparar melhor até a segunda fase. Natal e Réveillon em estudos. E despedidas da cidade que foi minha casa por 5 anos, das pessoas que foram minha vida neste período, e das que foram minha família por 17. Era muito difícil simplesmente não ter mais minha mãe comigo.
Primeiro dia da segunda fase - tudo transcorreu relativamente bem. Até a saída da prova, que foi regada a vômitos e febre. Uma virose misteriosa que me fez passar a noite no leito, acompanhando o pinga-pinga do cloreto e pensando "Então eu vivi 3.000 horas para isso?" Melhorei um pouco e fui fazer o segundo dia. Depois do vestibular, eu poderia dizer que dominava 95% do programa, ao menos. Os focos do segundo e terceiro dias, foram os 5% que faltavam. Chamar de azar, é piada. Caiu Complexos na prova específica. A matéria mais ridícula de toda a Matemática do Ensino Médio e a única que eu não lembrava nada, porque havia visto em fevereiro. Realmente quase tudo deu errado. Tudo aquilo que atormenta os alunos ao longo do ano - sim, realmente é isso, a ideia de pensar que está estudando tanto e algo pode simplesmente lhe impedir de realizar a prova - aconteceu. Apesar de tudo isso, eu consegui. Um 4º lugar não foi o que eu desejei, mas... está aí. Murphy, você perdeu para o Comediante. Concordo que tudo deu errado, mas eu consegui transformar tudo isso em piada. Esta é a lição que fica: façam o máximo, mesmo que o que desejem não peça tanto. Assim, não importa o que aconteça, vocês vão desconsiderar os desejos de "boa sorte" que receberem, e aceitarem apenas os de... SUCESSO.
P., cujo ano começa agora. Isto significa, posts, muitos posts.
Em agosto de 2009, escrevi um post sobre o vestibular -http://sppaconnection.blogspot.com/2009/09/existem-misticismos-sensacionais-em.html - e nele apontei como fundamentais para, não somente aprovação em um curso, mas em questões muito mais amplas, a vontade e a estratégia. Nesta época, comecei a vislumbrar o quanto seria complicado o que estava por vir, mas resolvi aplicar aquilo em que acreditei como certo e apenas ficar com a natural preocupação sobre aonde eu iria. Quero dividir isso com vocês, detalhes que não compartilhei com ninguém e abro a todos aqui...
http://www.youtube.com/watch?v=Bp2Qc5_6RJo (Esta música passa a sensação de postes de iluminação sendo vistos pela janela de um carro à noite, não?)
Foi tremendamente complicado ter um ano de aulas em que muita coisa não se iria aproveitar, e pior, tendo grande parte do conteúdo que caíria nas provas fora das salas. Sobraram cerca de 60% do "Conteúdo Programático" a serem vistos solitariamente, no meu quarto com película totalmente negra, frio, café, temakis e pizza. E assim as semanas iam rolando, sempre trazendo as mesmas cenas, a falta de tempo de alguém que passava 12h por dia na escola, todos os dias, que tinha 3h de curso de Matemática aos sábados e que fora abençoado com "Botânica" aos domingos. De manhã. Não havia feriados que não fossem destinados ao curso, ou a finalmente, os estudos - tão difíceis em meio à rotina maluca. Hoje eu vejo que errei ao me concentrar demais em certos assuntos. A todo e qualquer momento você precisava lembrar e estar pronto para responder ou fazer qualquer coisa de qualquer assunto, e eu levava isso mais longe, era necessário ter tudo em minha cabeça, nas cores dos pincéis dos meus quadros e em explicações eficientes.
Quantas noites foram destruídas por questões que não conseguiam ser resolvidas. Eu dormia e elas ainda estavam lá. No meio de tanto azar que estava ainda por vir, eu tive extrema sorte em cair na sala mais sensacional de que já fiz parte, a belíssima CMH, raro exemplo de sintonia. E todo dia, sem nunca deixar isso de lado, eu corria os olhos naqueles quadrados vermelhos (coisas que ainda deveriam ser vistas, à parte para a FUVEST) cada vez maiores, mais complexos e abarrotados de coisas novas. Você sempre vai ouvir aquelas ironias de que as coisas não vão dar certo. Afinal de contas, mesmo eu sendo de São Paulo, fiz mais do que todo meu Ensino Médio em Belém, não fazia cursinho no 3º ano nem nada "específico" para a FUVEST. Todas as vezes em que você concentrar as ações em si mesmo, as pessoas irão duvidar. Engraçada é a crença das coisas pertencentes às maluquices que temos por aí.
E veio a primeira fase. Antes dela, muitos problemas. Operação às pressas para retirar dois sisos que haviam inflamado, cujo pós-operatório é muito dolorido e prejudica muito qualquer tentativa de estudos. Estudos esses que não poderiam parar, já que ainda faltavam partes gigantescas do programa para ver e umas sete leituras obrigatórias. Também houve atritos com pessoas que me magoaram muito. Mesmo sabendo que no meu caso, seria tranquilo passar para a segunda fase, era difícil conceber um desempenho mediano. Tive de ficar uma semana sem tomar remédios para alergia (devido à medicação da operação na boca), que desencadeou coceiras intermináveis. Dormir nem pensar. Chegou o dia da prova, e a desconfiança nos assuntos vistos em tão pouco tempo me fez ficar nervoso e ter um desempenho... mediano. Foi minha primeira prova de vestibular, e apesar de tudo, era uma FUVEST. Então eu tive cerca de vinte dias para me preparar melhor até a segunda fase. Natal e Réveillon em estudos. E despedidas da cidade que foi minha casa por 5 anos, das pessoas que foram minha vida neste período, e das que foram minha família por 17. Era muito difícil simplesmente não ter mais minha mãe comigo.
Primeiro dia da segunda fase - tudo transcorreu relativamente bem. Até a saída da prova, que foi regada a vômitos e febre. Uma virose misteriosa que me fez passar a noite no leito, acompanhando o pinga-pinga do cloreto e pensando "Então eu vivi 3.000 horas para isso?" Melhorei um pouco e fui fazer o segundo dia. Depois do vestibular, eu poderia dizer que dominava 95% do programa, ao menos. Os focos do segundo e terceiro dias, foram os 5% que faltavam. Chamar de azar, é piada. Caiu Complexos na prova específica. A matéria mais ridícula de toda a Matemática do Ensino Médio e a única que eu não lembrava nada, porque havia visto em fevereiro. Realmente quase tudo deu errado. Tudo aquilo que atormenta os alunos ao longo do ano - sim, realmente é isso, a ideia de pensar que está estudando tanto e algo pode simplesmente lhe impedir de realizar a prova - aconteceu. Apesar de tudo isso, eu consegui. Um 4º lugar não foi o que eu desejei, mas... está aí. Murphy, você perdeu para o Comediante. Concordo que tudo deu errado, mas eu consegui transformar tudo isso em piada. Esta é a lição que fica: façam o máximo, mesmo que o que desejem não peça tanto. Assim, não importa o que aconteça, vocês vão desconsiderar os desejos de "boa sorte" que receberem, e aceitarem apenas os de... SUCESSO.
P., cujo ano começa agora. Isto significa, posts, muitos posts.
domingo, 30 de janeiro de 2011
Espírito livre
"A natureza não reconhece o Bem ou o Mal ou o bom e o ruim. Apenas o equilíbrio e o desequilíbrio, e todos seus esforços são para restaurar aquilo que foi tirado ou acrescentado em demasia em si mesma. A natureza, por definição, busca única e incansavelmente o equilíbrio."
O ano passado foi muito duro. Para todos nós. Li de alguns que 2011 precisa ser melhor, ouvi de outros que tem de ser tão bom quanto. Que neste ano todos nós consigamos parar de taxar as pessoas como boas ou más, nos colocando como vítimas das circunstâncias, de um destino ou de ações. O importante não é dar ouvidos àquela frase antiga e errônea, "Diga-me com quem andas que direi quem és", mas sim reconhecer que as coisas fluem para o equilíbrio, e a escolha de quem segue conosco é diferente da de quem nos segue neste fluxo.
P., com saudades de muitas coisas boas para mim.
Desculpem a espera por um novo post, mas a minha espera de certa forma me priva do tipo de prazer de escrever aqui. Logo acaba.
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