sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Letras para um ano novo.

Último dia da década. Você teve todas as chances de fazer o que gostaria. Com certeza ainda há muito a fazer. Se há coisas que você planejava e que não se concretizaram, aproveite para realizar isso em uma nova década, no novo ano e em uma nova harmonia.

Desculpem a demora para fazer um post, mas mesmo que curto e só agora, é de coração. Feliz 2011 para todos os nossos queridos leitores!

Um beijo e abraço, B.

domingo, 26 de dezembro de 2010

A grande conversa

Tomou assento ao meu lado. Era um fim de tarde comum por aqui, mas para nós, estrangeiros do mesmo país, era mais um retrato lindíssimo de um céu que é diferente de todos os outros. Temos os bons olhos de perceber os defeitos e a dificuldade de conseguir lidar com eles. Talvez por isso acabemos encontrando coisas menores para valorizar, coisas que não temos em nosso país. Engana-se quem pensa que de Norte a Sul vivemos em uma mesma nação. Para aqueles que se contentam com bandeira, hino, timecos de futebol ou programação da TV, tudo bem. E mesmo esses - maioria, é verdade - nutrem os mais profundos preconceitos e discriminações pela gente de toda parte. Não é preciso ir para outra Região, para outra raiz embrionária ou de costumes. Os nortistas odeiam os sulistas porque pensam que estes os odeiam por não os conhecerem. É por aí, desconhecemos pela imensa distância social e cultural, agravada pela física. Mas os sulistas odeiam-se entre os próximos, assim como os outros do Brasil. Acho que é algo a se pensar. Matutava tudo isso enquanto via as crianças feias e magras brincando de não fazer nada, brincando de serem crianças na rua, pois curiosamente é aqui onde elas têm espaço para isso. Na casa delas, nunca foram tratadas como tais, e depois temos de ouvir as famílias reclamando.


Na Pedreira, bairro miserável (não se chama de favela pelos recortes de classe média-alta entre os canais e casinhas horríveis) de Belém do Pará, as crianças passam muito tempo na rua. As pessoas daqui dizem que é devido à violência, estufam o peito enquanto cantam: "No centro não se pode fazer nada do que fazemos aqui, andar à noite, tomar uma cervejinha com os amigos ouvindo nossa música até a hora que bem entendermos, lá é violento, aqui ainda se tem um pouco de sossego". Mas não é por essa sensação que elas ficam na rua. Elas não querem ficar em casa.

Tenho ido correr praticamente todas as tardes, preferencialmente sob o pôr-do-sol desse céu belíssimo. E finalmente cheguei à conclusão de que realmente esse é o bairro que resume essa cidade. As crianças nós podemos entender. Mas os adolescentes, jovens, adultos... é difícil. Eu já conheci outras periferias, já li sobre as periferias, cortiços e guetos antigos, de várias épocas. A música tem uma função linda na vida de todas, e principalmente, de todas essas pessoas. As canções trazem saudade, cultuam seus mitos sociais, malandros, vigaristas, o tipo de gente que tenta fazer o que pode com o que lhe é dado. Entregam-se às coisas belas da vida, aos sonhos, encontram espaço para protesto, para ativismo e organizar-se através de ritmos. Lembram-se de seus antepassados. A música é a palavra que todas essas vozes não sabem dizer. Mas não é o que acontece aqui.

Compreendo que não seja só aqui, há músicas demais que não falam absolutamente nada, mas é difícil aceitar que as pessoas percam seus momentos familiares, de descanso e que deveriam somar algo, ou simplesmente ajudar a aguentar, com letras que exprimem... nada. Que nem ao menos trazem palavras inteiras, ideias melhores. Dotadas de letargia e má vontade. As pessoas estufam seus peitos para cantar meros grunhidos. Elas têm todo o direito de fazer o que bem entenderem e escutarem o que gostam. Mas é só isso o que fazem sob todos os dias em que o sol se puser. Não se vê melhora, progresso. Uma avenida má projetada está há 3 anos em obras, e nunca termina. E este é um problema que aflinge os rabiscos da classe média nessa pintura feia, rabiscos que se somam à confusão da carência em todo tipo de políticas públicas. Eu sempre digo e ainda não vi erro, que a vida de uma pessoa que vem morar aqui se divide em Antes e Depois de Belém. Nós adoramos dar esses marcos às coisas, aos acontecimentos decisivos. Mas, à guia da calçada, a figura alta parecia conversar comigo por esses pensamentos. Uma conversa muda em meio ao barulho e caos do final da tarde. Mães com suas pencas de filhos voltando com pão e algumas sacolas com os gêneros mais apreciados daqui. Muitos homens em suas bicicletas, contra todas as leis de trânsito, que em terra sem lei, são apenas piadas que os fazem rir ante seus protestos. Até que detive minha atenção naquilo que ele tinha a dizer. Com muito ardor e sacrifício consegui me livrar das ideias do que uma pessoa vai dizer antes que fale. Só assim se pode aceitar ou recusar aquilo da maneira correta.
E com uma conversa, que tantas vezes apareceu aqui neste blog, permeadas por silêncios, pensamentos e gritos, aquelas formas de expressão de que tanto gostamos, meu ano de 2010 começou a se encerrar. E a insistência dessas conversas quer deixar a todos vocês o diálogo. Dos dedões, das garotas apaixonadas que por fim caíram, de mim para comigo mesmo através de cartas, e finalmente, de nós, P. e B. do Sp/Pa com todos vocês. Um diálogo mudo, onde vocês falam por nós em suas cabeças e respondem nelas também. O diálogo mais bonito que eu posso oferecer. Quando o homem começou a falar, eu comecei a perceber o próximo ano.

P.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Nunca duvide do poder de um adeus

Quando baterem à sua porta, com o rosto inexpressível por não saber como dizer o que tem de ser dito ou agir da forma que não se quer, quando você olhar para esta cena e, num lance único de predição, saber o que irá se passar, acredite em mim, a força de todos seus pensamentos que diziam como seria será ínfima... nunca duvide do poder de um adeus e do que ele causa nas pessoas. Nunca perca a oportunidade de dizê-lo, mais uma vez, acredite em mim, pois ele causa transformações em todos aqueles que não têm coragem de admitir, fazer ou encarar as coisas sob a convivência e a proximidade. Isto significa que ele é útil sobre todas as pessoas. Porque afinal de contas, todas choram em um adeus e não sabem como dá-lo.

Por isso as maiores despedidas acontecem aos poucos, com pequenas ações e gestos impensados, palavras que não se sabe ao certo como saíram. A despedida por cada omissão corrói ao ponto de se saber e desejar dizer adeus. Mas essas não são feitas, acontecem. E como as coisas que acontecem, não se sabe em que irão resultar. Não deixe as pessoas se despedirem de você, nunca, antes que lhe digam adeus...

Essas não irão voltar mais.

P.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Eu tive as melhores intenções...

Sabem, esse primeiro ciclo chegou ao final. A minha intenção era conseguir muitas coisas nesse mês. Superar-me, aproveitar, desvincular, cativar e situar-me. Bem, estive longe daquilo que gostaria de ter feito, no começo do ano reclamava da falta de tempo, e não quero terminá-lo fazendo a mesma coisa. Ele ficou curto e me sugou, mas acho que deste ciclo sai um caminho que segue. Começa no dia 20 próximo mas já incia-se final de semana. Estive perto daqueles que gostaria de estar, na verdade, perto o bastante de alguns, com uma suavidade de convivência que me surpreendeu e deu ânimo. Próximo o bastante de outra, que por alguns momentos cativou algo que estava perdido, mas não fez bem achá-lo. Acho que finalmente acertei o que preciso buscar mas procurei na pessoa errada. As mulheres são incríveis nisto: não dizem o que querem mas falam aos poucos para você ver se entende. A minha intenção de cativar não deu certo.

Foi um mês difícil, meio de novembro e meio de dezembro, meio solitário e bastante irritante no final, mas, afinal de contas, o que importa mesmo são as ideias do que posso ou não esperar para o ano que vem, e principalmente, ter entendido por quem posso e não devo mais esperar. Eu tentei fazer tudo certo, mas agora eu ratifiquei que não são as intenções que movem o mundo. São as interpretações que o movem. E eu entendi todos os recados.

P. hurricanezado, que lindo. Sempre na hora certa surge a música ideal. Agradecendo também pelos comentários que vocês têm feito nos posts, são todos muito especiais para mim e tenho certeza de que para a B. também! Por falar nela, juro que logo mais ela aparece por aqui.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

A última carta a mim mesmo

... Antes de vocês lerem este post, peço que esvaziem seus corações e suas mentes. Ele foi feito com todo meu amor, paixão e empenho, como todos os que são feitos aqui no Sp/Pa. Mas ao contrário dos meus anteriores, que eram mais pessoais, generalistas e restritamente direcionados, o post que segue é uma grande homenagem a todos aqueles que eu pude recortar, desenhar, colar e finalmente costurar em mim. Todas as minhas palavras tentam expressar o que é muito difícil ao fazer arte: a intensidade de um beijo por quem não beija nem é beijado.

Gostaria também que o lessem ouvindo a música que marcou esse semestre final de 2010.

Este é o começo da última carta a mim mesmo, e é assim que eu começo a contá-la para vocês...
Há 5 anos estou aqui. Vir sem nem ao menos saber como eram as árvores foi bastante complicado. O tempo fez o que sabe, passou, aproximou e distanciou. Ele é importante nesta e em qualquer outra história, parece ser dono de si e de todos nós, que como naquelas coisas que entendemos, aceitamos, mas insistimos em brigar, achamos que podemos atrasá-lo ou evitá-lo. Pelo lado bom, o tempo seca as folhas. Quase todos chamam de morte, mas eu, minhas folhas, chamo de secar. Gostaria que vocês também vissem assim. Vocês são folhas, que secam mas servem de alimento para outras e para outros. Quando vocês deixam de existir, permitem a existência de outros, fazendo parte delas e as sustentando. Aqueles que admitem a morte aceitam a ideia de não fazerem parte da existência dos que ficam.

Particularmente, o último ano foi muito especial. O vento soprou sobre a maioria de nós, soprou fraco ainda, mas nos tirou de nossas salas e de perto da maioria de nossos amigos do ano passado. Fizemos novos, mais fortes e nos tornamos cúmplices, de matérias, opiniões, de 12 horas diárias e de todos os dias que o ano pode prover. Vocês sabem que o vento irá soprar, implacável, logo mais. É apenas questão de tempo e não depende de suas vontades. Mas o bonito, com relação ao vento, é sua diferença com o tempo. A vontade de cada uma de vocês é determinante para onde, como e quando o vento irá soprar. Quase todos chamam de livre arbítrio, mas eu, minhas folhas, chamo de vontade. Querendo ou não, o que acontecerá com vocês depende do que fizerem, não? Isso acontece porque mesmo com o vento implacável, todas têm liberdade para planar no ar, dificultarem, ou lançarem-se com mais ímpeto, chegando antes, ou até mesmo se desviando.

Eu conheci religiosas (como ignorar a ignorância milenar e o amor profundo pela tolerância?), liberais (as que mesmo com pouca convivência, pousam ao seu lado e abrem-se ao sol, sem medo de queimaduras nem reflexões mal feitas), doces (tanto na cama quanto com caneta em mãos, hábeis e entregues, daquele tipo que lhe encanta em qualquer coisa que façam), ácidas (de opiniões fortes e lutadoras, que não aceitam desdobramentos nem novos lugares, agressivas mas ainda sim são folhas, e acabam admitindo no final das contas), barulhentas (que viveram boa parte de suas vidas em comunhão com a arte - o que realmente nos torna humanos, porque a racionalidade é uma mera convenção daquelas que nos torna muito simplórios e afastados de nossa essência, enquanto a arte nos une aos dois, à nossa natureza e à nossa natureza) e todos os outros tipos de folhas, daquele tipo que você não sabe como separar, como interjeições errantes que simplesmente surgem em meio à sua vida e aniquilam seus valores, seus ideais e laços.

Entre todas vocês, entre irmãos que ganhei em sangue, suor e técnica, espírito, corpo e dedicação - as grandes folhas do judô - as grandes folhas do rock, as grandes folhas do meu antigo prédio, do meu antigo colégio, e as especiais novas folhas desse derradeiro ano de colegial. Entre todas vocês, eu ajoelhei-me e escolhi, uma a uma, aquelas que eu gostaria de costurar à minha carne, fazendo de mim uma colcha de retalhos de todas vocês. Lembranças, gostos, ideias e objetivos, todos nós compartilhamos vários destes, e iremos difundi-los até o final de nossas existências.

Muitos de vocês, afinal de contas, não sabem minha história. Alguns sabem de meu QI, de minha capacidade de organizar pensamentos de todos os gêneros e exercer todas as habilidades possíveis de maneira invejável, sabem que não sei nadar, dançar nem andar de bicicleta. Sabem que se reencarnações existem, Casanova foi um dos que tropeçaram em mim e deixou seu espírito apaixonado e apaixonante vivo comigo. Conhecem algumas de minhas desventuras amorosas, a interpretação de muitos de meus textos, e já ouviram algumas de minhas letras. Partilharam de pensamentos que foram evoluindo do agnosticismo ferrenho à sensação de liberdade (marcada à pele) liberalista em todos os sentidos. Sabem de minha infância conturbada e tumultuada por mudanças, que nunca serviram de desculpa para nenhuma de minhas ações. Também sabem que tenho por essência centralizá-las em mim, desvinculando-as de terceiros ou entidades quaisquer. Sabem que me gabo pelos prós e sofro silenciosamente pelos contras de se ser assim.

Mas apesar disso parecer muito sobre uma pessoa, ainda está longe de ser a minha história. Penso que é impossível conhecer alguém de verdade e totalmente. E que se você quiser ao menos entender a história e as ações de alguém, basta você ter duas coisas: a capacidade de relativizar e saber aquilo que a pessoa acredita. O que nós acreditamos faz de nós o que seremos. Pois baseamos nossas ações e consequentemente nossos objetivos em valores.

Eu sempre entoei dizer que não acreditava em nada... e isso não é verdade. Eu acredito em apenas uma coisa, minhas folhas, eu acredito no amor. Acredito no amor de cada um de vocês, e na maneira com que podem usá-lo para conseguirem e se tornarem o que quiserem. O que nos torna capazes de fazer arte, é o amor. O que torna os homens capazes de se unir às mulheres, melhores em quase todos os aspectos, é o amor. Embora nem sempre demonstre, eu acredito piamente naquilo que cada um de vocês guarda e externaliza, porque é isso que dá a todos vocês a beleza em não optar por sofrer por um deslocamento pelo vento, ou felicitar por conhecer coisas novas. Isso é o que torna todos vocês humanos, que existem, secam, têm vontades e paixões. Vocês são como as folhas, e eu não assumo e nunca pretendo ser vinculado a um possível jardineiro - embora alguns de vocês me vejam assim. Nós todos estamos submetidos a um mesmo vento, que nos obriga a nunca parar de voar por muito tempo... e chegou a minha hora de voar. Em breve chegará a hora de todas vocês. Mas não fiquemos tão tristes. Quem sabe quando o vento tomará outra direção, e nós estaremos juntos mais uma vez, mesmo que em posições, colorações e estados diferentes? Quem sabe? Bem, eu ainda não sei. E por procurar essa e outras respostas, eu preciso seguir em frente. A última carta a mim mesmo termina aqui, já que agora eu levo cada um de vocês comigo... nervura por nervura.

P. s. : Vocês realmente me enganaram direitinho ontem, no único ponto em que poderiam: no amor. Não desconfiei um segundo da surpresa... muito obrigado, amigos!
P. s. 2 : É, agora finalmente o Sp/Pa Connection faz jus ao seu nome de fato. Que comece a nova fase de nosso blog!


quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Primeiro parágrafo

E o vento soprou. Pouco a pouco todas as folhas levantam voo, ricocheteiam no ar, entre elas, comigo, e caem. Passei os últimos anos tentando decidir entre a beleza de se sair de um lugar para alcançar um novo com novas folhas e a tristeza de deixar as folhas antigas, devido à força do vento que lhe arrasta para longe delas. Enquanto as folhas caem, uma a uma, começo a me dar conta sobre a importância de cada uma delas para mim. Na última vez, a cidade mantinha tons de cinza, de monotonia e introspecção. Agora minha inspiração se deve unicamente ao fantástico brilho de cada uma dessas folhas... e chegou a hora de contá-las nervura por nervura. Este é o começo da última carta a mim mesmo, e é assim que eu começo a contá-la para vocês...

P.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Paredes brancas não paralelas, não alinhadas e congruentes

Estou imprensado por duas paredes brancas e translúcidas. Firme, porém flexível, ela me empurra contra a minha direita, onde está outra parede rígida e fraca. Cerro os dentes em desespero por não saber como agir, a dor lancina minha base à minha cabeça - isto não afeta como penso mas como ajo - e por não saber como pensar, ajo com os braços estendidos, pedindo desculpas por afastá-las, enquanto na verdade, tento apenas salvar-me do esmagamento.

Não é a melhor forma de se lidar com qualquer problema, porque em todos eles existe uma barreira para sua fuga, às vezes distante, às vezes vizinha, mas ela está lá. E estará sempre, não importa o quão rápido pense ou diga, por pensar rápido demais você acabará dizendo o que não foi mastigado devidamente. Esse dejeto que esbarra na parede branca te faz três coisas, do parar de fugir ao ter de engolir o que expeliu sem pensar - relações simples entre uma pessoa e outra. Mas a terceira define as coisas. A parede que te levou à fuga, lhe imprensa novamente.

Perder oportunidades de lidar com o primeiro obstáculo e transformar um segundo encontro em um maior ainda, são coisas adequadas para duas dores, e não apenas uma. Uma e somente uma é bem simples, tanto que você até acaba repetindo, porque acha que já se acostumou a lidar. Se e somente se uma for, não passará de "perdoo" e "desculpo", mas com uma parede branca colada em sua boca, as palavras tampouco saem, chegam à parede que faz doer sua espinha e roça em seus cabelos, se distorcem, voltando para a primeira, e assim dando origem à grande confusão: as paredes não são transparentes, e te fazem fechar os olhos, já que nada se pode ver através delas, e o mais bonito que elas te proporcionam só pode ser visto com os olhos fechados.

As palavras ficam mudas e seus braços escolhem apenas uma das barreiras. Mas a interação é forte demais e você é posto novamente com um ouvido e um braço em cada uma delas, mas seus olhos não se fixam em nenhuma. Eu não sei como escolher, e estrago tudo com as duas. Tropeço e caio sobre uma, seguidos pela outra, logo atrás. O baque, o choque, a dor e o escuro. Que dor desgraçada nesses dentes do siso, que me fazem agir como se houvesse alguém arrependido em cima deles e brigando com a dentição de cima para não acabar com a luz... de uma vez por todas.

P.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

X por x

Você continua batendo a sua cabeça até cair, causando críticas existenciais insuportáveis e problemas que vem para deixar esquecido o único problema que prevalece entre nós. Não entendo o que estou fazendo aqui. Talvez você se sinta como eu, mas sabe controlar seus impulsos mais tranquilamente. Não estou dizendo que não sou capaz de lidar com eles. Eu só me deixo levar naturalmente por meus instintos humanos. O que por sinal, deveria ser mais trabalhado pelos tais. Há casos em que a manipulação é algo completamente compreensível. E na verdade, manipular faz muito sentido para mim, mas se torna doentio. Quer saber quando uma pessoa realmente perde o controle?

Nos dois lados há desvantagem. No impulsivo, do qual chamo de ''meus instintos humanos'', você perde o controle a partir do momento em que acha que não pode conseguir algo, pois logo se desespera e age de uma maneira perturbadora. Por isso tento me manter sempre positiva, além de precisar ter uma mente continuamente calma, e não muito apressada. Já no pensativo, do qual chamo de ''manipulador demais'', você perde o controle quando pensar exageradamente antes da sua ação se torna um hábito. Você não precisa pensar o tempo inteiro. Pensar é algo realmente enlouquecedor. Mas talvez tudo isso seja uma ideia radical demais. É manipulador, pois já estou pensando muito.

Penso que tudo é acaso. O que dá errado pode ser culpa do ''pensar demais'' assim como o que dá certo também pode ser culpa do ''não pensar''. O impulso é algo que não te deixa escolha. Faça o que quiser, dará certo, não dará, não se culpe por isso, ponto. Siga em frente, sempre há uma próxima parada se você quiser chegar lá. As pessoas andam pensando tanto que já nem podem ser chamadas de pessoas. Eu penso demais, mas apenas depois dos impulsos. Meus pensamentos são bem existencialistas, assim como este texto. Depois da enxurrada, escrevo. Depois do que der certo, escrevo.

Logo após uma pausa para o cappuccino, de recordar de um meio termo e de reler os pensamentos redigidos acima... Vi-me encaixada entre estes dois planos; presa e livre dentro do meu próprio sistema impulsivo e ao mesmo tempo manipulador. Lembrei que uso impulsos milimetricamente pensados e observo no que essa manipulação resultará em meu trajeto de vida. Eu sou definitivamente um meio termo. Incontestavelmente geminiana. Penso que penso demais. Penso demais e pulso impulsivamente. Vejam só, quem sou eu para falar de auto controle?


B. tentando começar uma semana sem crises existenciais.

domingo, 19 de setembro de 2010

Bem[,]claro!

Da última vez que falei sobre isso, contava os minutos, os dias e os meses. Não tenho mais meses para contar. São apenas mais algumas semanas, e aquilo com que eu contei o ano inteiro não chega. Tudo irá ficar para trás, vida, pessoas, raízes... conto para ela tudo isso, e bem, não ouço comentário algum. Tive dificuldade em falar coisa alguma essas semanas, vocês bem veem que eu não venho aqui mais como antes, talvez possa explicar usando um conto aqui e um pocket ali, mesclando opiniões próprias com acontecimentos semanais em forma de energia. Mas provavelmente poucos de vocês irão realmente compreender algo - por razões já explicadas neste blog antes - então seria interessante, ao menos uma vez, ser direto.

Eu amo uma garota que não me ama. Age como quem sim e diz "como não(?)". Mas disso vocês já devem saber, há alguns meses. Eu venho passando a abominar incomensuravelmente qualquer tipo de culto a algo ou a alguém, e luto para não deixar meu pensamento anti-radicalismo se tornar radical contra eles. Sobra para os gnomos verdes, que assistem lacônicos e brincalhões ao molde de minha personalidade às pressas, e ainda precisam carregar o título de criadores quando são apenas criaturas. Mas disso vocês também já sabem há alguns dias.

Sem tempo para reflexão pessoal e interior, saturado de tanto conteúdo e relações absolutamente distintas, não sobra tempo para digerir razões e expressões, de voltar a desgostar de matérias mal exploradas e que te fazem perguntar: como alguém não enxerga algumas coisas e discute esse tipo de baboseira? Eu simplesmente deixo de ser humano para ser mais humano do que nunca fui. O conflito do que realmente somos em essência sempre foi levantado, e disso vocês sempre souberam, mas isso só é feito porque as perguntas realizadas são impróprias. Não importa o que é ser humano por definição, porque definições são tolas e vaidosas. Somos humanos quando conseguimos pensar unicamente e rejeitar tudo o que os outros homens acreditam e fazem, mas se nos excluímos desse grupo absoluto para criar outro, estamos criando nada além de mais um grupo humano, diferente dos outros. A tolice de se reunir em religiões ou ideologias lhe desune do resto das pessoas. E talvez disto vocês só estejam sabendo há alguns minutos.

Venho deixando-me mudar por causa dela, mas não por ela. Por mim. Por minhas ações, não pelo meu bem. Já que meu bem está tão perto há tanto tempo, mas o que é realmente o meu e nosso bem, nem mesmo os meses que me fugiram conseguem contar...

P., fica sempre bem, meu bem.

sábado, 11 de setembro de 2010

Dia virá...

Destruição em massa. Explosão nuclear dentro de um só corpo. Hoje em dia eles não usam lápis. Hoje em dia o nacional não existe mais. O sexo nunca esteve banalizado. Os políticos não politizam mais. O amor não é a cura. A doença é psicológica. A mídia só divulga o mesmo. As pessoas nunca divagam pelo mesmo lugar. O homem enlouquece. A mulher envolve dinamites em sua própria cabeça. A jovem toma um cappuccino. O gay escandaliza. A população paralisa. O feio se torna o belo. O estranho que nunca foi bem vindo toma o seu lugar com força. O cinema nunca foi igual. Nouvelle Vague sempre fez sentido. Os mais insanos conseguem entender. Os famosos ficam cada vez mais magros. Virá o tempo que a beleza será pobreza. Dia virá. Dia virá.

O estudo não valerá mais nada. Meus pés estão cheio de calos. Os professores desistirão. O presidente não será o mesmo. O preto e branco volta à moda. A morte gera a vida. A mãe se torna o pai e vice-versa. Os gênios são superestimados. Os comuns subestimados. Jesus Cristo volta a terra. Um homem beija outro. A onça ajuda o peixe. A santa é queimada. Os prédios são derrubados. Casas são construídas. A bolsa de valores está errada. Bicho preguiça se suicida. O sorvete derrete na mão da criança. A garota furta CDs por diversão. Almodóvar permanece invicto. A vida é desperdiçada. Virá o tempo em que a morte será bem vinda. Dia virá. Dia virá.

B.