domingo, 30 de janeiro de 2011
Espírito livre
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Letras para um ano novo.
Desculpem a demora para fazer um post, mas mesmo que curto e só agora, é de coração. Feliz 2011 para todos os nossos queridos leitores!
Um beijo e abraço, B.
domingo, 26 de dezembro de 2010
A grande conversa
Tomou assento ao meu lado. Era um fim de tarde comum por aqui, mas para nós, estrangeiros do mesmo país, era mais um retrato lindíssimo de um céu que é diferente de todos os outros. Temos os bons olhos de perceber os defeitos e a dificuldade de conseguir lidar com eles. Talvez por isso acabemos encontrando coisas menores para valorizar, coisas que não temos em nosso país. Engana-se quem pensa que de Norte a Sul vivemos em uma mesma nação. Para aqueles que se contentam com bandeira, hino, timecos de futebol ou programação da TV, tudo bem. E mesmo esses - maioria, é verdade - nutrem os mais profundos preconceitos e discriminações pela gente de toda parte. Não é preciso ir para outra Região, para outra raiz embrionária ou de costumes. Os nortistas odeiam os sulistas porque pensam que estes os odeiam por não os conhecerem. É por aí, desconhecemos pela imensa distância social e cultural, agravada pela física. Mas os sulistas odeiam-se entre os próximos, assim como os outros do Brasil. Acho que é algo a se pensar. Matutava tudo isso enquanto via as crianças feias e magras brincando de não fazer nada, brincando de serem crianças na rua, pois curiosamente é aqui onde elas têm espaço para isso. Na casa delas, nunca foram tratadas como tais, e depois temos de ouvir as famílias reclamando.
Na Pedreira, bairro miserável (não se chama de favela pelos recortes de classe média-alta entre os canais e casinhas horríveis) de Belém do Pará, as crianças passam muito tempo na rua. As pessoas daqui dizem que é devido à violência, estufam o peito enquanto cantam: "No centro não se pode fazer nada do que fazemos aqui, andar à noite, tomar uma cervejinha com os amigos ouvindo nossa música até a hora que bem entendermos, lá é violento, aqui ainda se tem um pouco de sossego". Mas não é por essa sensação que elas ficam na rua. Elas não querem ficar em casa.
Tenho ido correr praticamente todas as tardes, preferencialmente sob o pôr-do-sol desse céu belíssimo. E finalmente cheguei à conclusão de que realmente esse é o bairro que resume essa cidade. As crianças nós podemos entender. Mas os adolescentes, jovens, adultos... é difícil. Eu já conheci outras periferias, já li sobre as periferias, cortiços e guetos antigos, de várias épocas. A música tem uma função linda na vida de todas, e principalmente, de todas essas pessoas. As canções trazem saudade, cultuam seus mitos sociais, malandros, vigaristas, o tipo de gente que tenta fazer o que pode com o que lhe é dado. Entregam-se às coisas belas da vida, aos sonhos, encontram espaço para protesto, para ativismo e organizar-se através de ritmos. Lembram-se de seus antepassados. A música é a palavra que todas essas vozes não sabem dizer. Mas não é o que acontece aqui.
Compreendo que não seja só aqui, há músicas demais que não falam absolutamente nada, mas é difícil aceitar que as pessoas percam seus momentos familiares, de descanso e que deveriam somar algo, ou simplesmente ajudar a aguentar, com letras que exprimem... nada. Que nem ao menos trazem palavras inteiras, ideias melhores. Dotadas de letargia e má vontade. As pessoas estufam seus peitos para cantar meros grunhidos. Elas têm todo o direito de fazer o que bem entenderem e escutarem o que gostam. Mas é só isso o que fazem sob todos os dias em que o sol se puser. Não se vê melhora, progresso. Uma avenida má projetada está há 3 anos em obras, e nunca termina. E este é um problema que aflinge os rabiscos da classe média nessa pintura feia, rabiscos que se somam à confusão da carência em todo tipo de políticas públicas. Eu sempre digo e ainda não vi erro, que a vida de uma pessoa que vem morar aqui se divide em Antes e Depois de Belém. Nós adoramos dar esses marcos às coisas, aos acontecimentos decisivos. Mas, à guia da calçada, a figura alta parecia conversar comigo por esses pensamentos. Uma conversa muda em meio ao barulho e caos do final da tarde. Mães com suas pencas de filhos voltando com pão e algumas sacolas com os gêneros mais apreciados daqui. Muitos homens em suas bicicletas, contra todas as leis de trânsito, que em terra sem lei, são apenas piadas que os fazem rir ante seus protestos. Até que detive minha atenção naquilo que ele tinha a dizer. Com muito ardor e sacrifício consegui me livrar das ideias do que uma pessoa vai dizer antes que fale. Só assim se pode aceitar ou recusar aquilo da maneira correta.
E com uma conversa, que tantas vezes apareceu aqui neste blog, permeadas por silêncios, pensamentos e gritos, aquelas formas de expressão de que tanto gostamos, meu ano de 2010 começou a se encerrar. E a insistência dessas conversas quer deixar a todos vocês o diálogo. Dos dedões, das garotas apaixonadas que por fim caíram, de mim para comigo mesmo através de cartas, e finalmente, de nós, P. e B. do Sp/Pa com todos vocês. Um diálogo mudo, onde vocês falam por nós em suas cabeças e respondem nelas também. O diálogo mais bonito que eu posso oferecer. Quando o homem começou a falar, eu comecei a perceber o próximo ano.
P.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Nunca duvide do poder de um adeus
Por isso as maiores despedidas acontecem aos poucos, com pequenas ações e gestos impensados, palavras que não se sabe ao certo como saíram. A despedida por cada omissão corrói ao ponto de se saber e desejar dizer adeus. Mas essas não são feitas, acontecem. E como as coisas que acontecem, não se sabe em que irão resultar. Não deixe as pessoas se despedirem de você, nunca, antes que lhe digam adeus...
Essas não irão voltar mais.
P.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Eu tive as melhores intenções...
Foi um mês difícil, meio de novembro e meio de dezembro, meio solitário e bastante irritante no final, mas, afinal de contas, o que importa mesmo são as ideias do que posso ou não esperar para o ano que vem, e principalmente, ter entendido por quem posso e não devo mais esperar. Eu tentei fazer tudo certo, mas agora eu ratifiquei que não são as intenções que movem o mundo. São as interpretações que o movem. E eu entendi todos os recados.
P. hurricanezado, que lindo. Sempre na hora certa surge a música ideal. Agradecendo também pelos comentários que vocês têm feito nos posts, são todos muito especiais para mim e tenho certeza de que para a B. também! Por falar nela, juro que logo mais ela aparece por aqui.
terça-feira, 9 de novembro de 2010
A última carta a mim mesmo
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Primeiro parágrafo
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Paredes brancas não paralelas, não alinhadas e congruentes
Não é a melhor forma de se lidar com qualquer problema, porque em todos eles existe uma barreira para sua fuga, às vezes distante, às vezes vizinha, mas ela está lá. E estará sempre, não importa o quão rápido pense ou diga, por pensar rápido demais você acabará dizendo o que não foi mastigado devidamente. Esse dejeto que esbarra na parede branca te faz três coisas, do parar de fugir ao ter de engolir o que expeliu sem pensar - relações simples entre uma pessoa e outra. Mas a terceira define as coisas. A parede que te levou à fuga, lhe imprensa novamente.
Perder oportunidades de lidar com o primeiro obstáculo e transformar um segundo encontro em um maior ainda, são coisas adequadas para duas dores, e não apenas uma. Uma e somente uma é bem simples, tanto que você até acaba repetindo, porque acha que já se acostumou a lidar. Se e somente se uma for, não passará de "perdoo" e "desculpo", mas com uma parede branca colada em sua boca, as palavras tampouco saem, chegam à parede que faz doer sua espinha e roça em seus cabelos, se distorcem, voltando para a primeira, e assim dando origem à grande confusão: as paredes não são transparentes, e te fazem fechar os olhos, já que nada se pode ver através delas, e o mais bonito que elas te proporcionam só pode ser visto com os olhos fechados.
As palavras ficam mudas e seus braços escolhem apenas uma das barreiras. Mas a interação é forte demais e você é posto novamente com um ouvido e um braço em cada uma delas, mas seus olhos não se fixam em nenhuma. Eu não sei como escolher, e estrago tudo com as duas. Tropeço e caio sobre uma, seguidos pela outra, logo atrás. O baque, o choque, a dor e o escuro. Que dor desgraçada nesses dentes do siso, que me fazem agir como se houvesse alguém arrependido em cima deles e brigando com a dentição de cima para não acabar com a luz... de uma vez por todas.
P.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
X por x
Nos dois lados há desvantagem. No impulsivo, do qual chamo de ''meus instintos humanos'', você perde o controle a partir do momento em que acha que não pode conseguir algo, pois logo se desespera e age de uma maneira perturbadora. Por isso tento me manter sempre positiva, além de precisar ter uma mente continuamente calma, e não muito apressada. Já no pensativo, do qual chamo de ''manipulador demais'', você perde o controle quando pensar exageradamente antes da sua ação se torna um hábito. Você não precisa pensar o tempo inteiro. Pensar é algo realmente enlouquecedor. Mas talvez tudo isso seja uma ideia radical demais. É manipulador, pois já estou pensando muito.
Penso que tudo é acaso. O que dá errado pode ser culpa do ''pensar demais'' assim como o que dá certo também pode ser culpa do ''não pensar''. O impulso é algo que não te deixa escolha. Faça o que quiser, dará certo, não dará, não se culpe por isso, ponto. Siga em frente, sempre há uma próxima parada se você quiser chegar lá. As pessoas andam pensando tanto que já nem podem ser chamadas de pessoas. Eu penso demais, mas apenas depois dos impulsos. Meus pensamentos são bem existencialistas, assim como este texto. Depois da enxurrada, escrevo. Depois do que der certo, escrevo.
Logo após uma pausa para o cappuccino, de recordar de um meio termo e de reler os pensamentos redigidos acima... Vi-me encaixada entre estes dois planos; presa e livre dentro do meu próprio sistema impulsivo e ao mesmo tempo manipulador. Lembrei que uso impulsos milimetricamente pensados e observo no que essa manipulação resultará em meu trajeto de vida. Eu sou definitivamente um meio termo. Incontestavelmente geminiana. Penso que penso demais. Penso demais e pulso impulsivamente. Vejam só, quem sou eu para falar de auto controle?
B. tentando começar uma semana sem crises existenciais.