segunda-feira, 11 de abril de 2011

Calafrios

Você passou depressa pela rua... fazia tanto tempo que eu não lhe via...
As conjecturas estão até em meio aos sonhos. Coitado daquele que não consegue aquilo que quer nem mesmo quando pode conseguir qualquer coisa. Talvez eu não saiba o que quero. É uma questão. Triste.

Antes eu queria saber tudo. Então encontrei muitas pessoas que não me permitiam saber o que pensavam. Fui desistindo do que queria. Não tentem ir ao oposto, pois aqueles que fazem questão de que você saiba de tudo o que pensam, lhe impedem até mesmo de desistir.

E quando se perde a capacidade de saber até mesmo sobre si próprio?

Faculdade...

Não é uma capacidade, tem de ser uma faculdade. Não se deve possui-la momentaneamente e discriminadamente, deve-se usá-la sempre e como base por todos. É um problema. Grande.

Em cada cama, em cada cidade, em cada casa, deixamos um aquilo que somos. Se foi por ter fingido muito ou ter deitado-me tantas vezes, não sei. Mas as camas não estão mais ao meu alcance. Distantes ou afastadas, o efeito é o mesmo: o amor se foi e algumas transuentes falam sobre ele de vez em quando. Mas são apenas transeuntes. As cidades se confundem, e até mesmo as questões de antes deste blog, sobre mundos diferentes, não têm mais referencial: os sonhos não trazem mais conjectura alguma. Eles só trazem casas diferentes... que realmente não têm relação alguma com sonho algum.

Por hora, apenas ruas, passos rápidos de todos enquanto tento ver você de perto. Perto o suficiente para saber quem é você. De perto.

P., T., R., e K. Quem sabe de perto?

quarta-feira, 23 de março de 2011

Eu do ato.

Perdida em meus atos. O que parece solução, logo se transforma em abismo. O que parece abismo, logo vira solução. Depois todos se invertem e se misturam. O que parece abismo vira abismo e solução. O que parece solução vira solução, solução e abismo. Abismo solução, solução. Abismo.

Talvez eu precise de um bom psicólogo. Mas e eles? Não precisam? Ora essa... Não me venham com antidepressivos, afinal de contas, eu sou minha depressão e nenhum remédio mudará isso. Eu sou a pessoa que escolhi ser ou a vida me fez essa pessoa que escolheu entrar no mundo. Mundo esse que poucos vivem. E é por isso que sou.

Ninguém poderá entender-me antes de mim. Preciso chegar primeiro, preciso tentar antes de qualquer outro vir aqui me falar do que sou quando não sou. Preciso tocar no molde central no meu ser que projetará o próximo ato antes de minha consciência ficar ciente disso. Preciso de mim. Preciso do ser, do eu, do vivo.

Doeu ser vivo. Dói ser a mim mesma criação do próximo ser que gerarei. Tenho a capacidade disso? Apesar de que sou humana e se Deus fez tudo isso como deveria ser não entendo porque continuo a me evolver com o sexo feminino quando deveria ser o oposto. Não gosto do oposto. Gosto, mas não gosto. Preciso de uma identificação. Algo que não vá me repelir. Algo que só nós mulheres conseguimos ter em comum. Esse ato de amor, o carnal e a alma sem rumo algum. Essa dor do ser viva mulher que precisa de um abrigo.

Estou mergulhada aqui, por enquanto. Logo mais abrirão a porta e não entenderei mais nada do que se passa em mim. Essas letras complicadas digitadas por dedos mais confiantes que eu. Parece tão simples aqui, apesar de complicado. Comparar com a vida lá fora é loucura. Prefiro ficar enrolada aqui. Grande dor. Espreme a humanidade para fora desta casca dura. Faz de mim mais confiante que os malditos dedos, por favor.

B.

sexta-feira, 18 de março de 2011

"O universo" por um chapéu

Deram-me um chapéu, tem umas semanas. Nunca tive um chapéu antes, não um de respeito ao menos. E olha que nesta afirmação entram aqueles clarinhos e pretos que nos empurravam sobre a cabeça nas apresentações infantis. Como este chapéu é diferente, eu gosto muito dele. Perguntaram se eu iria largá-lo algum dia, e abominei a ideia. O meu chapéu não. O universo de minha nova vida está pautado neste chapéu. Se algum dia eu jogá-lo fora, talvez minha vida tenha o mesmo rumo.

Com palavras simples deveria ser mais fácil explicar as coisas. Com ideias curtas, o mesmo objetivo. Mas as poucas palavras e a falta de ideias deixam tudo muito aderido, cabeça ao chapéu. Confundem-se em identidade e identificador; você pode não ser o que seu chapéu mostra, mas você é algo para quem seu chapéu mostra. O chapéu não é apenas respeitável e diferente, é interessante. Não se pode escondê-lo na mesma proporção que não se pode carregá-lo sem andar carregado de impressões. E coloque carregado nisso, porque não se pode olhar para cima enquanto se anda com ele. Olhe para baixo e abaixe a cabeça.

O chapéu não é dado como presente, tampouco como extensão do corpo. Vai na cabeça porque não se sabe em que lugar da identidade se pendura as coisas, não que ele esteja lá guardando as ideias. Mas ele fica bem onde fica. É um símbolo genial que lhe permite identificar muito sobre o que a pessoa é, ou está aparentando ser por alguns meses. Mas não é a você, digo, a mim, que ele deve identificar. Se eu identifico é porque talvez não tenha me identificado com ele, acho. Mas não sei, isto ficou meio confuso, sabem, aquela confusão assustadora que muitos estão passando agora. Aliás, eu não acho nada. Todos os mandamentos devem ser interpretados com humor, mas eis um que traz muita sobriedade: achar algo por aqui é seu pior erro, saiba.

Então você começa a jogar o chapéu para cima, e começa a colocar giro nele. Finalmente o chapéu cai. Agora o universo é explicado por um chapéu. Agora faz-se de tudo por ele. Troquei o universo por um dele. Se foi realmente o que queria, não sei. Neste caso só me resta achar... e eu sinceramente espero que não seja meu pior erro.

P.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Poesia sem poeta

Enquanto eu riscava o papel, ela perguntou se eu estava fazendo algum tipo de poesia. Sorri. Então esticando o braço, pediu para ler. Dei-lhe a folha e falei para que não se decepcionasse, pois ali não encontraria bem o que pretendia. Após alguns minutos, ela disse que havia sim poesia ali, embora não houvesse verso algum. Mas sim, definitivamente havia poesia. "Sem verso, não há poesia, apenas prosa comum". "Você se julga poeta e consegue dizer uma coisa dessas, que implica em não existir poesia no olhar, ou na natureza e coisas do tipo? Apenas onde há verso? Ora, poeta... Faz muito tempo que rima deixou de ser poesia e tenho certeza de que é o certo!".
E também faz muito tempo que poesia deixou de ser beleza. Nunca me considerei um poeta, creio que não disponho de habilidade e talento para tanto. Para expressar o que querem, os poetas usam de muitas coisas iguais e tão difíceis quanto. Eu não sei esconder a beleza. O verso esconde o raciocínio. Quem me dera ter essa destreza! Eu apenas enxergo a beleza das formas e busco sua essência. E as escrevo como são: com ritmo. A prosa com ritmo é perfeita pois é como nós pensamos. E são nossos pensamentos que dão esta beleza às coisas. Raciocínio é ritmo. Como gostaria de saber rimar a beleza!

"De qualquer forma, ficou muito bonito..."

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Lei epigramática

É isso. Lá se foi o escalpo.
Em agosto de 2009, escrevi um post sobre o vestibular -http://sppaconnection.blogspot.com/2009/09/existem-misticismos-sensacionais-em.html - e nele apontei como fundamentais para, não somente aprovação em um curso, mas em questões muito mais amplas, a vontade e a estratégia. Nesta época, comecei a vislumbrar o quanto seria complicado o que estava por vir, mas resolvi aplicar aquilo em que acreditei como certo e apenas ficar com a natural preocupação sobre aonde eu iria. Quero dividir isso com vocês, detalhes que não compartilhei com ninguém e abro a todos aqui...

http://www.youtube.com/watch?v=Bp2Qc5_6RJo (Esta música passa a sensação de postes de iluminação sendo vistos pela janela de um carro à noite, não?)

Foi tremendamente complicado ter um ano de aulas em que muita coisa não se iria aproveitar, e pior, tendo grande parte do conteúdo que caíria nas provas fora das salas. Sobraram cerca de 60% do "Conteúdo Programático" a serem vistos solitariamente, no meu quarto com película totalmente negra, frio, café, temakis e pizza. E assim as semanas iam rolando, sempre trazendo as mesmas cenas, a falta de tempo de alguém que passava 12h por dia na escola, todos os dias, que tinha 3h de curso de Matemática aos sábados e que fora abençoado com "Botânica" aos domingos. De manhã. Não havia feriados que não fossem destinados ao curso, ou a finalmente, os estudos - tão difíceis em meio à rotina maluca. Hoje eu vejo que errei ao me concentrar demais em certos assuntos. A todo e qualquer momento você precisava lembrar e estar pronto para responder ou fazer qualquer coisa de qualquer assunto, e eu levava isso mais longe, era necessário ter tudo em minha cabeça, nas cores dos pincéis dos meus quadros e em explicações eficientes.

Quantas noites foram destruídas por questões que não conseguiam ser resolvidas. Eu dormia e elas ainda estavam lá. No meio de tanto azar que estava ainda por vir, eu tive extrema sorte em cair na sala mais sensacional de que já fiz parte, a belíssima CMH, raro exemplo de sintonia. E todo dia, sem nunca deixar isso de lado, eu corria os olhos naqueles quadrados vermelhos (coisas que ainda deveriam ser vistas, à parte para a FUVEST) cada vez maiores, mais complexos e abarrotados de coisas novas. Você sempre vai ouvir aquelas ironias de que as coisas não vão dar certo. Afinal de contas, mesmo eu sendo de São Paulo, fiz mais do que todo meu Ensino Médio em Belém, não fazia cursinho no 3º ano nem nada "específico" para a FUVEST. Todas as vezes em que você concentrar as ações em si mesmo, as pessoas irão duvidar. Engraçada é a crença das coisas pertencentes às maluquices que temos por aí.

E veio a primeira fase. Antes dela, muitos problemas. Operação às pressas para retirar dois sisos que haviam inflamado, cujo pós-operatório é muito dolorido e prejudica muito qualquer tentativa de estudos. Estudos esses que não poderiam parar, já que ainda faltavam partes gigantescas do programa para ver e umas sete leituras obrigatórias. Também houve atritos com pessoas que me magoaram muito. Mesmo sabendo que no meu caso, seria tranquilo passar para a segunda fase, era difícil conceber um desempenho mediano. Tive de ficar uma semana sem tomar remédios para alergia (devido à medicação da operação na boca), que desencadeou coceiras intermináveis. Dormir nem pensar. Chegou o dia da prova, e a desconfiança nos assuntos vistos em tão pouco tempo me fez ficar nervoso e ter um desempenho... mediano. Foi minha primeira prova de vestibular, e apesar de tudo, era uma FUVEST. Então eu tive cerca de vinte dias para me preparar melhor até a segunda fase. Natal e Réveillon em estudos. E despedidas da cidade que foi minha casa por 5 anos, das pessoas que foram minha vida neste período, e das que foram minha família por 17. Era muito difícil simplesmente não ter mais minha mãe comigo.

Primeiro dia da segunda fase - tudo transcorreu relativamente bem. Até a saída da prova, que foi regada a vômitos e febre. Uma virose misteriosa que me fez passar a noite no leito, acompanhando o pinga-pinga do cloreto e pensando "Então eu vivi 3.000 horas para isso?" Melhorei um pouco e fui fazer o segundo dia. Depois do vestibular, eu poderia dizer que dominava 95% do programa, ao menos. Os focos do segundo e terceiro dias, foram os 5% que faltavam. Chamar de azar, é piada. Caiu Complexos na prova específica. A matéria mais ridícula de toda a Matemática do Ensino Médio e a única que eu não lembrava nada, porque havia visto em fevereiro. Realmente quase tudo deu errado. Tudo aquilo que atormenta os alunos ao longo do ano - sim, realmente é isso, a ideia de pensar que está estudando tanto e algo pode simplesmente lhe impedir de realizar a prova - aconteceu. Apesar de tudo isso, eu consegui. Um 4º lugar não foi o que eu desejei, mas... está aí. Murphy, você perdeu para o Comediante. Concordo que tudo deu errado, mas eu consegui transformar tudo isso em piada. Esta é a lição que fica: façam o máximo, mesmo que o que desejem não peça tanto. Assim, não importa o que aconteça, vocês vão desconsiderar os desejos de "boa sorte" que receberem, e aceitarem apenas os de... SUCESSO.

P., cujo ano começa agora. Isto significa, posts, muitos posts.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Espírito livre

"A natureza não reconhece o Bem ou o Mal ou o bom e o ruim. Apenas o equilíbrio e o desequilíbrio, e todos seus esforços são para restaurar aquilo que foi tirado ou acrescentado em demasia em si mesma. A natureza, por definição, busca única e incansavelmente o equilíbrio."

O ano passado foi muito duro. Para todos nós. Li de alguns que 2011 precisa ser melhor, ouvi de outros que tem de ser tão bom quanto. Que neste ano todos nós consigamos parar de taxar as pessoas como boas ou más, nos colocando como vítimas das circunstâncias, de um destino ou de ações. O importante não é dar ouvidos àquela frase antiga e errônea, "Diga-me com quem andas que direi quem és", mas sim reconhecer que as coisas fluem para o equilíbrio, e a escolha de quem segue conosco é diferente da de quem nos segue neste fluxo.

P., com saudades de muitas coisas boas para mim.

Desculpem a espera por um novo post, mas a minha espera de certa forma me priva do tipo de prazer de escrever aqui. Logo acaba.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Letras para um ano novo.

Último dia da década. Você teve todas as chances de fazer o que gostaria. Com certeza ainda há muito a fazer. Se há coisas que você planejava e que não se concretizaram, aproveite para realizar isso em uma nova década, no novo ano e em uma nova harmonia.

Desculpem a demora para fazer um post, mas mesmo que curto e só agora, é de coração. Feliz 2011 para todos os nossos queridos leitores!

Um beijo e abraço, B.

domingo, 26 de dezembro de 2010

A grande conversa

Tomou assento ao meu lado. Era um fim de tarde comum por aqui, mas para nós, estrangeiros do mesmo país, era mais um retrato lindíssimo de um céu que é diferente de todos os outros. Temos os bons olhos de perceber os defeitos e a dificuldade de conseguir lidar com eles. Talvez por isso acabemos encontrando coisas menores para valorizar, coisas que não temos em nosso país. Engana-se quem pensa que de Norte a Sul vivemos em uma mesma nação. Para aqueles que se contentam com bandeira, hino, timecos de futebol ou programação da TV, tudo bem. E mesmo esses - maioria, é verdade - nutrem os mais profundos preconceitos e discriminações pela gente de toda parte. Não é preciso ir para outra Região, para outra raiz embrionária ou de costumes. Os nortistas odeiam os sulistas porque pensam que estes os odeiam por não os conhecerem. É por aí, desconhecemos pela imensa distância social e cultural, agravada pela física. Mas os sulistas odeiam-se entre os próximos, assim como os outros do Brasil. Acho que é algo a se pensar. Matutava tudo isso enquanto via as crianças feias e magras brincando de não fazer nada, brincando de serem crianças na rua, pois curiosamente é aqui onde elas têm espaço para isso. Na casa delas, nunca foram tratadas como tais, e depois temos de ouvir as famílias reclamando.


Na Pedreira, bairro miserável (não se chama de favela pelos recortes de classe média-alta entre os canais e casinhas horríveis) de Belém do Pará, as crianças passam muito tempo na rua. As pessoas daqui dizem que é devido à violência, estufam o peito enquanto cantam: "No centro não se pode fazer nada do que fazemos aqui, andar à noite, tomar uma cervejinha com os amigos ouvindo nossa música até a hora que bem entendermos, lá é violento, aqui ainda se tem um pouco de sossego". Mas não é por essa sensação que elas ficam na rua. Elas não querem ficar em casa.

Tenho ido correr praticamente todas as tardes, preferencialmente sob o pôr-do-sol desse céu belíssimo. E finalmente cheguei à conclusão de que realmente esse é o bairro que resume essa cidade. As crianças nós podemos entender. Mas os adolescentes, jovens, adultos... é difícil. Eu já conheci outras periferias, já li sobre as periferias, cortiços e guetos antigos, de várias épocas. A música tem uma função linda na vida de todas, e principalmente, de todas essas pessoas. As canções trazem saudade, cultuam seus mitos sociais, malandros, vigaristas, o tipo de gente que tenta fazer o que pode com o que lhe é dado. Entregam-se às coisas belas da vida, aos sonhos, encontram espaço para protesto, para ativismo e organizar-se através de ritmos. Lembram-se de seus antepassados. A música é a palavra que todas essas vozes não sabem dizer. Mas não é o que acontece aqui.

Compreendo que não seja só aqui, há músicas demais que não falam absolutamente nada, mas é difícil aceitar que as pessoas percam seus momentos familiares, de descanso e que deveriam somar algo, ou simplesmente ajudar a aguentar, com letras que exprimem... nada. Que nem ao menos trazem palavras inteiras, ideias melhores. Dotadas de letargia e má vontade. As pessoas estufam seus peitos para cantar meros grunhidos. Elas têm todo o direito de fazer o que bem entenderem e escutarem o que gostam. Mas é só isso o que fazem sob todos os dias em que o sol se puser. Não se vê melhora, progresso. Uma avenida má projetada está há 3 anos em obras, e nunca termina. E este é um problema que aflinge os rabiscos da classe média nessa pintura feia, rabiscos que se somam à confusão da carência em todo tipo de políticas públicas. Eu sempre digo e ainda não vi erro, que a vida de uma pessoa que vem morar aqui se divide em Antes e Depois de Belém. Nós adoramos dar esses marcos às coisas, aos acontecimentos decisivos. Mas, à guia da calçada, a figura alta parecia conversar comigo por esses pensamentos. Uma conversa muda em meio ao barulho e caos do final da tarde. Mães com suas pencas de filhos voltando com pão e algumas sacolas com os gêneros mais apreciados daqui. Muitos homens em suas bicicletas, contra todas as leis de trânsito, que em terra sem lei, são apenas piadas que os fazem rir ante seus protestos. Até que detive minha atenção naquilo que ele tinha a dizer. Com muito ardor e sacrifício consegui me livrar das ideias do que uma pessoa vai dizer antes que fale. Só assim se pode aceitar ou recusar aquilo da maneira correta.
E com uma conversa, que tantas vezes apareceu aqui neste blog, permeadas por silêncios, pensamentos e gritos, aquelas formas de expressão de que tanto gostamos, meu ano de 2010 começou a se encerrar. E a insistência dessas conversas quer deixar a todos vocês o diálogo. Dos dedões, das garotas apaixonadas que por fim caíram, de mim para comigo mesmo através de cartas, e finalmente, de nós, P. e B. do Sp/Pa com todos vocês. Um diálogo mudo, onde vocês falam por nós em suas cabeças e respondem nelas também. O diálogo mais bonito que eu posso oferecer. Quando o homem começou a falar, eu comecei a perceber o próximo ano.

P.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Nunca duvide do poder de um adeus

Quando baterem à sua porta, com o rosto inexpressível por não saber como dizer o que tem de ser dito ou agir da forma que não se quer, quando você olhar para esta cena e, num lance único de predição, saber o que irá se passar, acredite em mim, a força de todos seus pensamentos que diziam como seria será ínfima... nunca duvide do poder de um adeus e do que ele causa nas pessoas. Nunca perca a oportunidade de dizê-lo, mais uma vez, acredite em mim, pois ele causa transformações em todos aqueles que não têm coragem de admitir, fazer ou encarar as coisas sob a convivência e a proximidade. Isto significa que ele é útil sobre todas as pessoas. Porque afinal de contas, todas choram em um adeus e não sabem como dá-lo.

Por isso as maiores despedidas acontecem aos poucos, com pequenas ações e gestos impensados, palavras que não se sabe ao certo como saíram. A despedida por cada omissão corrói ao ponto de se saber e desejar dizer adeus. Mas essas não são feitas, acontecem. E como as coisas que acontecem, não se sabe em que irão resultar. Não deixe as pessoas se despedirem de você, nunca, antes que lhe digam adeus...

Essas não irão voltar mais.

P.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Eu tive as melhores intenções...

Sabem, esse primeiro ciclo chegou ao final. A minha intenção era conseguir muitas coisas nesse mês. Superar-me, aproveitar, desvincular, cativar e situar-me. Bem, estive longe daquilo que gostaria de ter feito, no começo do ano reclamava da falta de tempo, e não quero terminá-lo fazendo a mesma coisa. Ele ficou curto e me sugou, mas acho que deste ciclo sai um caminho que segue. Começa no dia 20 próximo mas já incia-se final de semana. Estive perto daqueles que gostaria de estar, na verdade, perto o bastante de alguns, com uma suavidade de convivência que me surpreendeu e deu ânimo. Próximo o bastante de outra, que por alguns momentos cativou algo que estava perdido, mas não fez bem achá-lo. Acho que finalmente acertei o que preciso buscar mas procurei na pessoa errada. As mulheres são incríveis nisto: não dizem o que querem mas falam aos poucos para você ver se entende. A minha intenção de cativar não deu certo.

Foi um mês difícil, meio de novembro e meio de dezembro, meio solitário e bastante irritante no final, mas, afinal de contas, o que importa mesmo são as ideias do que posso ou não esperar para o ano que vem, e principalmente, ter entendido por quem posso e não devo mais esperar. Eu tentei fazer tudo certo, mas agora eu ratifiquei que não são as intenções que movem o mundo. São as interpretações que o movem. E eu entendi todos os recados.

P. hurricanezado, que lindo. Sempre na hora certa surge a música ideal. Agradecendo também pelos comentários que vocês têm feito nos posts, são todos muito especiais para mim e tenho certeza de que para a B. também! Por falar nela, juro que logo mais ela aparece por aqui.